quarta-feira, 9 de março de 2011

Número de mulheres que trabalham na Sanepar aumenta 152% em 10 anos


Em dez anos, aumentou 152% o número de mulheres no quadro funcional da Sanepar. Em dezembro de 1999, eram 679 (16,63% dos empregados). Em dezembro do ano passado, o número de mulheres na companhia chegou a 1.711, representando 23,07% do total de funcionários. Nos dias de hoje, elas estão em todas as áreas da empresa, até nos trabalhos pesados das estações de tratamento de esgoto.

Uma das pioneiras é a engenheira civil Mara Lucia Pereira Kalinowski, há 30 anos na Sanepar. Ela foi a primeira engenheira mulher em Londrina e a quarta a ser admitida pela companhia. Mara Lucia começou como estagiária da empresa, em 1977. Depois de formada, passou um período em Curitiba e seguiu para Londrina, num período em que houve grande expansão na rede de esgoto.

Em Foz do Iguaçu, as desbravadoras são Lia Cristina Ferreira e Charlene Fabrin, as duas únicas leituristas da região. Elas integram a equipe ao lado de 18 homens e fazem um trabalho que, até pouco tempo atrás, era considerado exclusivamente masculino. Percorrem em torno de 10 quilômetros por dia, carregando o MCP (microcomputador portátil), enfrentando sol, chuva e cachorros. As duas concordam que, apesar do trabalho ser árduo, gostam muito do que fazem.

Os sistemas de tratamento de água também foram “invadidos” pelas mulheres. Nislaine Mafé, 27, é operadora da estação de tratamento de água (ETA) de Paranavaí, desde 2008. Ela conta que algumas vezes trabalhou sozinha no turno da noite. “Isso nunca foi um problema”, diz.

VERSATILIDADE – Em Vera Cruz do Oeste, no oeste do Estado, Carina Justino Ferreira, 23 anos, atua no serviço de atendimento ao público, no tratamento da água, escava a terra, faz ligações de água, procura vazamentos e conserta redes. Atende ainda os sistemas de Diamante do Oeste e de São Pedro do Iguaçu e os distritos de Ponte Nova e São Judas Tadeu. “O trabalho é pesado, mas me sinto em casa e, mesmo no meio da lama e da chuva, consigo dar boas risadas com os colegas de equipe”, conta.

Também de Vera Cruz do Oeste vem o exemplo de Veridiana Elizabete da Silva, operadora de estação de tratamento de esgoto há quatro anos. Ela faz a limpeza e manutenção das grades do esgoto, retirando panos, plásticos e outros materiais que não podem entrar na estação. A operadora ainda realiza a coleta de amostras do efluente tratado para encaminhar para a análise, e faz a limpeza do reator.

Em Apucarana fica a agente técnica de produção e gestora de processos da área de esgoto Marisa Souza Plath, responsável pela elaboração da declaração de carga poluidora e do relatório do SQA – Sistema da Qualidade da Água –, que mostra os resultados das análises de qualidade dos processos água e esgoto, realizadas mensalmente. Ela monitora a operação e a realização de análises em oito estações de tratamento de esgoto, em Apucarana e em outras cidades do Vale do Ivaí.

Mais exemplos na área de esgoto são encontrados em Maringá, com Érica Khatlab Kuraoka, 28, e Keila Yulko Doi, 32, que começaram a trabalhar na empresa em 2006. Elas agora atuam no laboratório, mas não se recusam a ir a campo quando falta alguém na escala. “Sempre estou pronta para atender”, conta Érica.

Fernanda Richa quer transformar o Paraná em modelo no atendimento social


Como está o início do trabalho à frente da secretaria?

Fernanda Richa – Estamos fazendo um levantamento e colocando nosso pessoal em todos os programas que existiam na Secretaria da Criança e Juventude. Tivemos algumas surpresas. O governo não estava desenvolvendo ações eficientes de assistência para a população. É preciso organizar melhor as coisas. Estamos trabalhando fortemente nisso para, num segundo momento, começar a desenvolver os projetos e programas pertinentes à nova Secretaria da Família e Desenvolvimento Social. Quando anunciou a criação da nova secretaria, o governador Beto Richa garantiu que ela terá papel fundamental no atendimento de todos os cidadãos.

Quais os principais programas que serão desenvolvidos?

Fernanda Richa – Primeiramente, vamos nos estruturar. Em seguida, passaremos para a implementação de programas como o Família Paranaense, que visa melhorar as condições de vida das famílias com maior grau de vulnerabilidade social. Temos também o Serviço de Proteção Social Básica e a implantação das redes regionais de Proteção Social Especial de Média e Alta Complexidade. Com o Família Paranaense, as famílias serão integradas à rede social de atendimento dos municípios, bem como às políticas sociais, de educação, saúde, segurança alimentar, habitação, cultura e esporte e lazer.

Sua experiência à frente do serviço social de Curitiba pode ajudar nesta nova tarefa?

Fernanda Richa – Quando fui presidente da Fundação de Ação Social (FAS) de Curitiba, conseguimos transformar a capital em uma referência na assistência social no País. Implantamos 45 unidades dos Centros de Referência da Assistência Social e 10 unidades dos Centros de Referência Especializados de Assistência Social. Fizemos um trabalho muito bom, sempre em parceria com a comunidade. É dessa forma que desejamos trabalhar no Paraná, com todos os prefeitos e secretários, para que possamos por em prática os programas que planejamos e que realmente farão a promoção da família. Esse é o nosso carro-chefe, objetivo principal.

Qual é a situação financeira da secretaria?

Fernanda Richa – A situação está realmente complicada. Hoje, o saldo é insuficiente para atender as necessidades da população. Temos que buscar novas maneiras de arrecadar, trabalhar com muita parceria e responsabilidade para que possamos colocar em ordem o programa de assistência social do nosso estado. Temos muitos planos e projetos. Independente das dificuldades, vamos atender a todos os cidadãos necessitados do nosso Paraná.

Como sanear o orçamento para executar os programas?

Fernanda Richa – Vamos atuar com muita criatividade, buscar recursos de emendas parlamentares e realizar parcerias com entidades privadas que possam nos dar suporte para desenvolver os programas sociais. Esperamos realizar boas parcerias com empresas, atuando em sinergia.

O que a população do Paraná pode esperar da sua equipe nos próximos quatro anos?

Fernanda Richa – Somos um grupo forte que trabalha junto há cinco anos e meio. Formamos uma equipe que se dedicou a um trabalho semelhante na prefeitura de Curitiba e colocou a cidade numa situação privilegiada e exemplar. Com esse mesmo grupo, nós vamos percorrer todo o Estado e fazer com que todas as pessoas tenham oportunidades, capacitação e melhores condições de vida. A ideia é tirar famílias da situação de pobreza para que tenham independência e escolham os próprios caminhos, sem necessitar da tutela do Estado. É isso que nós buscamos.

Será uma atuação integrada com órgãos do governo federal?

Fernanda Richa – Sem dúvida. Há poucos dias estive reunida em Brasília com a ministra Tereza Campelo (Desenvolvimento Social). Destacamos que o Paraná não vai fazer assistencialismo, vai trabalhar para a promoção e geração de renda das famílias. Vamos atuar com outras secretarias do Estado para que possamos realmente promover as famílias, independentemente do município onde estejam. Atuaremos de modo a respeitar o perfil de cada cidade no que toca à assistência social.