“Assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também.” (Colossenses 3:13b)
Penso
que um dos desejos mais intensos de toda pessoa sábia é ser e viver
livre. Suponho que ninguém em perfeito juízo gostaria de perder sua
liberdade e passar a viver aprisionado. No entanto, parece haver uma
contradição, pois, apesar de ser esse um dos maiores anseios de todos
nós, muitas vezes nos permitimos ser presos. Pode ser por uma filosofia
de vida contrária à vontade de Deus, um vício, preceitos religiosos
antibíblicos, pela religiosidade sem entendimento ou por várias outras
coisas tão danosas quanto estas. Dentre essas prisões, quero destacar a
falta de perdão, a qual é uma das maiores responsáveis pelo sofrimento
humano.
Todos
nós já passamos ou talvez estejamos passando por situações nas quais
nos sentimos tremendamente injustiçados ou traídos. Para piorar,
geralmente isso envolve pessoas consideradas importantes, e isso
certamente torna a dor do coração ainda maior e o fardo a ser
transportado muito mais pesado, não é mesmo?
Quem
sabe seja por esse motivo que a Bíblia fala tanto sobre a necessidade
de perdoar. E agora, talvez, você esteja dizendo para si mesmo: “Ele
fala de perdão porque não conhece o que eu já passei ou estou passando”.
Por isso, novamente lhe digo que todos nós nos enquadramos nessa
situação. Portanto, posso lhe falar com convicção que não há ninguém que
não precise perdoar e também ser perdoado.
Quando
lemos a oração chamada de “Pai nosso”, a qual foi proferida por Jesus,
vemo-lo ensinar os discípulos a orar, dizendo: “Perdoa as nossas
dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores.” (Mateus 6:12)
Como
é sério isso! Caso façamos uma releitura, entenderemos que quem não
perdoa também não recebe o perdão de Deus. Que tragédia! Creio que todos
querem ser perdoados pelo Pai, já que não existe ninguém que nunca
tenha pecado contra Deus ou ofendido a seu próximo, seja de maneira
intencional ou não. Consciente ou não.
“Mas,
não consigo perdoar. Foi muito grave o que fizeram comigo”. Quem sabe
você esteja dizendo ou pensando isso. E eu concordo com sua opinião.
Porém, tenho uma má notícia para lhe dar: Quem não perdoa, está
declarando, mesmo que sem palavras, que Deus não precisa perdoá-lo.
Também está acorrentando a si mesmo, tornando-se escravo do ódio, da
mágoa, do ressentimento e da raiz de amargura que brotam em seu
coração.
Em
outras palavras: tal indivíduo está tomando veneno e quer que o seu
ofensor morra. Que tolice! Por que estou falando isso? Porque, segundo a
criência, a falta de perdão traz como consequência grande quantidade de
doenças psicossomáticas, ou seja, aquelas que surgem na mente e
refletem diretamente no corpo.
Segundo
estudos realizados em grandes universidades, em vários lugares do
mundo, a falta de perdão pode levar o indivíduo a desenvolver diversos
tipos de câncer, artrite, asma, diabetes, gastrite, ansiedade, problemas
no fígado e muitas outras doenças.
Quando
ensinou sobre esse tema tão importante, Jesus contou uma parábola na
qual mostra que quem se recusa a perdoar é torturado por atormentadores
ou verdugos (A palavra verdugo vem do latim viriducum, que significa uma
vara verde. Também se refere à pessoa encarregada de açoitar alguém; um
carrasco). (Mateus 18:21 ao 35)
Mesmo
que deixemos de lado o que a Bíblia diz sobre esse assunto, como já foi
dito, a ciência tem feito descobertas muito significativas nessa área.
Há até quem diga que grande parte das pessoas que hoje estão
hospitalizadas poderiam estar em sua casa, caso decidissem perdoar a
seus ofensores ou a si mesmas. Que interessante, não é?
Há
ocasiões nas quais precisamos e devemos perdoar a nós mesmos. Isso
acontece porque fizemos alguma coisa contra alguém, gerando algum tipo
de prejuízo à pessoa ofendida. Outras vezes, tomamos uma decisão
totalmente equivocada, a qual gera resultados terríveis contra a nossa
própria vida. Por causa disso, passamos a carregar um enorme sentimento
de culpa. E o pior: ainda que Deus nos perdoe, nós mesmos não o fazemos.
Desse modo, tornamo-nos nossos algozes.
Obviamente,
isso se torna um veneno mortal dentro de nós. Por isso, precisamos
trazer à mente que, se já confessamos o erro a Deus, Ele perdoou. E, se o
Senhor assim o fez, precisamos aceitar a graça de Deus e nos livrar do
fardo da culpa. Assim, passaremos a nos sentir livres, pois foi para a
liberdade que Cristo nos chamou, não para o cárcere mental ou
espiritual. (Gálatas 5:1; I João 1:7 ao 9)
Há,
ainda, algo que preciso lhe dizer: caso a “prisão” em que você se
encontra seja fruto de um pecado não confessado a Deus, dirija-se ao
Senhor com humildade de coração o mais rápido possível, para que seja
livre dessa cadeia.
Para entender melhor, veja o que Davi tem a nos ensinar sobre isso: “Como
é feliz aquele que tem suas transgressões perdoadas e seus pecados
apagados! Como é feliz aquele a quem o Senhor não atribui culpa e em
quem não há hipocrisia! Enquanto escondi os meus pecados, o meu corpo
definhava de tanto gemer. Pois de dia e de noite a tua mão pesava sobre
mim; minha força foi se esgotando como em tempo de seca. Então reconheci
diante de ti o meu pecado e não encobri as minhas culpas. Eu disse:
"Confessarei as minhas transgressões ao Senhor", e tu perdoaste a culpa
do meu pecado. Portanto, que todos os que são fiéis orem a ti enquanto
podes ser encontrado; quando as muitas águas se levantarem, elas não os
atingirão. Tu és o meu abrigo; tu me preservarás das angústias e me
cercarás de canções de livramento.” (Salmo 32:1 ao 7)
Davi
havia pecado contra Deus e estava tentando ocultar seus erros, como se
isso fosse possível. Em consequência disso, estava se sentindo como
descreveu no salmo. No entanto, quando ele humildemente reconhece seus
erros e os confessa ao Pai de amor, encontra perdão e refrigério para
sua alma. E o mesmo pode acontecer com qualquer pessoa. Inclusive com
você.
Para
finalizar, quero dizer que, para quem é cristão, as Escrituras Sagradas
são a palavra de Deus revelada a nós. Logo, é a maior autoridade em sua
vida. Assim sendo, faz-se necessário conhecê-la e colocar em prática
seus ensinamentos.
Veja
o que está escrito em II Timóteo 3:16 e 17: “Toda a Escritura é
divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para
corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja
perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra”.
Ora,
se ela é inspirada por Deus e nela existem muitos textos falando sobre a
necessidade de perdoar, significa que é algo realmente necessário.
Sendo assim, precisamos estar atentos a esses ensinamentos bíblicos, a
fim de que sejamos e vivamos livres através do perdão.
Sei
que você dirá: “Não consigo perdoar nem aos outros nem a mim mesmo”.
Acredito plenamente no que diz. Por isso, a Bíblia declara em Romanos
8:26 que o Espírito Santo nos ajuda a vencer as nossas fraquezas. E,
certamente, essa é uma grande fraqueza da maioria de nós. Então, peça a
ajuda dele para conseguir e seja verdadeiramente livre.
Marcos A. Araújo
Formado em Letras e Pedagogia, professor
da EBQ de Nova Odessa. Autor de três livros. Casado com Márcia e pai do
Miguel e do Gabriel.