Ideia é que após o carnaval já exista central de informações para tirar dúvidas e um site para fazer a simulação das novas opções de aposentadoria
O Secretário de Previdência, Rogério Marinho, chega no Ministério da Fazenda, em Brasília (DF)
Foto: DIDA SAMPAIO / Estadão Conteúdo
O presidente Jair Bolsonaro apoiou sua campanha nas
redes sociais e, mesmo depois de vencida a eleição, continuou utilizando
o meio para divulgar suas ações. A possibilidade de usar as redes
sociais não foi descartada por Marinho, que evitou comentar
especificamente o tema.
Perguntado sobre também se seria possível a volta do sistema "toma lá,
dá cá", para aprovação da reforma, onde o governo concede cargos ou
outros benefícios para os partidos para conseguir aprovar projetos,
Marinho foi mais enfático. "Esse governo mostra disruptura com o status quo
da política brasileira. Esse é um governo que quando foi formado não
levou em consideração partidos políticos. O presidente Bolsonaro está
inovando o processo político, o problema é que tem reações, quem está
acostumado com a situação se ressente, mas haverá acomodação natural, e
isso será customizado", afirmou.
Conversa com parlamentares
O secretário especial está otimista com a votação da reforma da Previdência
pelo "novo Congresso", referindo-se à renovação sofrida pelo Congresso
Nacional este ano. Ele disse que o seu papel depois de ter finalizado o
texto é conversar com esses parlamentares, "até porque conheço eles
individualmente, estava lá há 20 dias".
Ele ressaltou, no entanto, que o papel de articulação política para
garantir a aprovação é dos líderes do governo, apesar de reconhecer que
tem um bom trânsito no parlamento após três mandatos como deputado, o
que facilita as conversas, na opinião do secretário. Para ele, o
presidente da Câmara, Rodrigo Maia, será fundamental nessa negociação e
tem ajudado bastante o governo.
"O Congresso deverá aperfeiçoar, mas o projeto que o governo defende é o
que ele mandou", disse, evitando comentar sobre possíveis
flexibilizações no texto. "O projeto apresentado é o projeto que a
equipe econômica acha necessária para recuperar a conta pública, por
isso, aguardamos o início da discussão na CCJ e no plenário para que
tudo seja transparente", completou.
Ele afirmou que, como era esperado e sempre acontece, associações e
corporações tentam defender seus interesses, mas espera que isso seja
feito de forma clara e em voz alta. Na hora em que alguma categoria for
tratada de forma diferenciada haverá impacto na capacidade e
investimento na saúde, na educação, afirma. Tudo bem as corporações
tentarem, mas tem que ser feito em voz alta, disse.
Segundo Marinho, as corporações têm "gritado" sobre o impacto nos casos mais polêmicos como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e da aposentadoria rural, mas em voz baixa pedem mudanças para privilegiar categorias.
"Eles falam publicamente que estão preocupados com o velhinho do BPC,
isso é o que está ocorrendo nas corporações, mas depois falam baixo para
tentar mudar (alguma regra)", explicou.