
Mario Eugenio Saturno
Duas pesquisas realmente incríveis demonstraram que dormir ajuda a aprender tarefas complicadas e que se pode aprender enquanto se sonha. Pesquisadores da Universidade de Chicago mostraram que dormir ajuda a mente durante o aprendizado de tarefas difíceis. A tarefa testada foi jogar um videogame. Os jogadores que esqueciam como fazer uma determinada tarefa, após 12 horas do treinamento, recuperaram a habilidade após uma noite de sono. A pesquisa demonstra que o sono tem um importante papel no aprendizado, desenvolvimento de habilidades e na fixação da memória.
A pesquisa foi realizada com 200 estudantes, sendo que a maioria era do sexo feminino e que já tinham alguma experiência em jogar videogames. Os jogos usados continham um ambiente virtual rico que requeria do jogador o uso de ambas as mãos para lidar com a mudança contínua de estímulos sonoros e visuais, além de requerer aprendizado de mapas de diferentes ambientes.
Os jogadores tiveram sua habilidade determinada. Então, foram treinados no jogo e, depois, tiveram seu desempenho medido. Um grupo foi treinado de manhã e testado 12 horas depois e, novamente, após acordarem no dia seguinte. Um segundo grupo, também treinado pela manhã, mas testado somente no dia seguinte após 24 horas. Um terceiro, treinado à noite e submetido ao teste 12 horas após uma noite de sono. Finalmente, o quarto, foi treinado na noite e testado 24 horas depois. Dormir provocou uma melhora de 10 por cento no desempenho dos alunos.
O resultado mostra que dormir ajuda no aprendizado da linguagem, como escrita e leitura tanto quanto em habilidades motoras e visuais como as que envolvem um jogo de tênis.
Essa pesquisa corrobora uma prática minha do final dos anos 70, quando eu era um estudante do terceiro colegial preparando-me para os vestibulares. Quando havia um problema muito difícil para resolver, como de matemática, eu os estudava antes de dormir e conseguia resolvê-los ao acordar.
Em outra pesquisa, conduzida por cientistas do Centro Médico Beth Israel Deaconess de Boston, relaciona alguns sonhos como o esforço do cérebro aprender. O estudo foi aplicado a 99 voluntários que foram treinados por uma hora em um labirinto virtual tridimensional para achar o caminho. Então, metade dos voluntários foi dormir por 90 minutos e a os demais permaneceram acordados lendo ou relaxando. Durante o período de descanso, os voluntários eram interrompidos ou acordados, conforme o caso, e interrogados sobre o que estavam pensando ou sonhando
Depois do descanso, os sujeitos voltaram ao labirinto. Aqueles que não cochilaram pioraram seu desempenho. Os que cochilaram, mas não sonharam com o problema, tiveram uma melhora pequena. Já os quatro que sonharam com o labirinto tiveram uma melhora espetacular, na ordem de dez vezes melhor. Enquanto novos estudos não confirmem esta descoberta, fica a sugestão para dormir bem diante dos problemas.
Mario Eugenio Saturno é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva e congregado mariano. (mariosaturno@uol.com.br)