
Mario Eugenio Saturno
Neste país abençoado por Deus, até os desastres naturais são previsíveis... E faltam seis meses para que as enchentes retornem com força total e ceifem vidas inocentes, sim, de muitas crianças indefesas e abandonadas pelo Estado. Ou será que nossas autoridades estão fazendo a tarefa de casa? Será que o alerta que o INPE dará com dias de antecedência mobilizará alguém?
E, falando em INPE, o Brasil também não possui um satélite meteorológico próprio, os esforços da instituição serão respaldados pela sociedade, políticos do executivo e legislativo? Os Estados Unidos gastam quase US$ 1 bilhão em meteorologia por ano. Quanto nossa sociedade está disposta a investir nisso?
Vemos tantas propagandas governamentais inúteis, ainda não vi nenhum governo financiando cisternas para a reserva de água da chuva em casas e prédios nas cidades que sofrem enchentes. Não vi nenhuma prefeitura investir em cisternas, nem em “piscininhas”. E apesar de terem muitos parques e muito subsolo das calçadas para isso.
E o CTA da Aeronáutica? Nos anos oitenta, havia grande esperança de que o projeto do CTA para fazer chover mudaria o Nordeste... Foi abandonado! Ficou na história e na lembrança daqueles que como eu ainda têm esperança. E não é que do ITA, Instituto Tecnológico da Aeronáutica, um engenheiro sonhador desenvolveu uma tecnologia para semear chuvas usando apenas água potável. Dispensa o poluidor iodeto de prata. E, para atestar o método, a SABESP é cliente desde 2001, garantindo água para São Paulo.
Gostaria de ver novamente o CTA reativando o projeto de semeadura de chuvas, fazendo chover e evitando as chuvas fortes em locais perigosos e populosos. Com tantos Tucanos, aviões poderosos e “made in Brazil”, poderíamos criar a Esquadrilha do Tempo, evitando desastres em áreas sensíveis e agindo onde a seca destroi. Tudo isso a custo zero, ou ninguém se lembra que os pilotos têm que voar para ficarem exímios? E, ainda, por que não criar um VANT (veículo aéreo não tripulado) para isso? Qualquer organismo poderia operar um.
Com o aquecimento global, as chuvas intensas serão cada vez mais frequentes, destruirão plantações e causarão danos enormes nas cidades. Fazer chover na quantidade certa, ou seja, desarmar as nuvens tornar-se-á uma necessidade e dominar essa técnica uma vantagem global.
E não esqueçamos do armazenamento e aproveitamento das águas pluviais. Um recurso valioso à espera de sua exploração. Em São Paulo, o potencial é de 1.500 milímetros de água que pode ser usada. E se o leitor pensa que um sistema residencial de armazenamento custa caro, está orçado em torno de R$ 1.500,00. A ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas, já publicou uma nova norma para projetos de aproveitamento de chuva. Soluções há. Muito se pode fazer para preservar o meio-ambiente e o custo não é significativo, mas o ganho ambiental é impagável.
Mario Eugenio Saturno é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva e congregado mariano. (mariosaturno@uol.com.br)