segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Liberdade através do perdão

“Assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também.” (Colossenses 3:13b)

Penso que um dos desejos mais intensos de toda pessoa sábia é ser e viver livre. Suponho que ninguém em perfeito juízo gostaria de perder sua liberdade e passar a viver aprisionado. No entanto, parece haver uma contradição, pois, apesar de ser esse um dos maiores anseios de todos nós, muitas vezes nos permitimos ser presos. Pode ser por uma filosofia de vida contrária à vontade de Deus, um vício, preceitos religiosos antibíblicos, pela religiosidade sem entendimento ou por várias outras coisas tão danosas quanto estas. Dentre essas prisões, quero destacar a falta de perdão, a qual é uma das maiores responsáveis pelo sofrimento humano.   
     
Todos nós já passamos ou talvez estejamos passando por situações nas quais nos sentimos tremendamente injustiçados ou traídos. Para piorar, geralmente isso envolve pessoas consideradas importantes, e isso certamente torna a dor do coração ainda maior e o fardo a ser transportado muito mais pesado, não é mesmo? 
     
Quem sabe seja por esse motivo que a Bíblia fala tanto sobre a necessidade de perdoar. E agora, talvez, você esteja dizendo para si mesmo: “Ele fala de perdão porque não conhece o que eu já passei ou estou passando”. Por isso, novamente lhe digo que todos nós nos enquadramos nessa situação. Portanto, posso lhe falar com convicção que não há ninguém que não precise perdoar e também ser perdoado.
     
Quando lemos a oração chamada de “Pai nosso”, a qual foi proferida por Jesus, vemo-lo ensinar os discípulos a orar, dizendo: “Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores.” (Mateus 6:12)
     
Como é sério isso! Caso façamos uma releitura, entenderemos que quem não perdoa também não recebe o perdão de Deus. Que tragédia! Creio que todos querem ser perdoados pelo Pai, já que não existe ninguém que nunca tenha pecado contra Deus ou ofendido a seu próximo, seja de maneira intencional ou não. Consciente ou não.  
     
“Mas, não consigo perdoar. Foi muito grave o que fizeram comigo”. Quem sabe você esteja dizendo ou pensando isso. E eu concordo com sua opinião. Porém, tenho uma má notícia para lhe dar: Quem não perdoa, está declarando, mesmo que sem palavras, que Deus não precisa perdoá-lo.  Também está acorrentando a si mesmo, tornando-se escravo do ódio, da mágoa, do ressentimento e da raiz de amargura que brotam em seu coração. 
     
Em outras palavras: tal indivíduo está tomando veneno e quer que o seu ofensor morra. Que tolice! Por que estou falando isso? Porque, segundo a criência, a falta de perdão traz como consequência grande quantidade de doenças psicossomáticas, ou seja, aquelas que surgem na mente e refletem diretamente no corpo.  
    
Segundo estudos realizados em grandes universidades, em vários lugares do mundo, a falta de perdão pode levar o indivíduo a desenvolver diversos tipos de câncer, artrite, asma, diabetes, gastrite, ansiedade, problemas no fígado e muitas outras doenças. 
    
Quando ensinou sobre esse tema tão importante, Jesus contou uma parábola na qual mostra que quem se recusa a perdoar é torturado por atormentadores ou verdugos (A palavra verdugo vem do latim viriducum, que significa uma vara verde. Também se refere à pessoa encarregada de açoitar alguém; um carrasco). (Mateus 18:21 ao 35)
     
Mesmo que deixemos de lado o que a Bíblia diz sobre esse assunto, como já foi dito, a ciência tem feito descobertas muito significativas nessa área. Há até quem diga que grande parte das pessoas que hoje estão hospitalizadas poderiam estar em sua casa, caso decidissem perdoar a seus ofensores ou a si mesmas. Que interessante, não é?  
     
Há ocasiões nas quais precisamos e devemos perdoar a nós mesmos. Isso acontece porque fizemos alguma coisa contra alguém, gerando algum tipo de prejuízo à pessoa ofendida. Outras vezes, tomamos uma decisão totalmente equivocada, a qual gera resultados terríveis contra a nossa própria vida. Por causa disso, passamos a carregar um enorme sentimento de culpa. E o pior: ainda que Deus nos perdoe, nós mesmos não o fazemos. Desse modo, tornamo-nos nossos algozes. 
    
Obviamente, isso se torna um veneno mortal dentro de nós. Por isso, precisamos trazer à mente que, se já confessamos o erro a Deus, Ele perdoou. E, se o Senhor assim o fez, precisamos aceitar a graça de Deus e nos livrar do fardo da culpa. Assim, passaremos a nos sentir livres, pois foi para a liberdade que Cristo nos chamou, não para o cárcere mental ou espiritual.  (Gálatas 5:1; I João 1:7 ao 9)
    
Há, ainda, algo que preciso lhe dizer: caso a “prisão” em que você se encontra seja fruto de um pecado não confessado a Deus, dirija-se ao Senhor com humildade de coração o mais rápido possível, para que seja livre dessa cadeia. 
    
Para entender melhor, veja o que Davi tem a nos ensinar sobre isso: “Como é feliz aquele que tem suas transgressões perdoadas e seus pecados apagados! Como é feliz aquele a quem o Senhor não atribui culpa e em quem não há hipocrisia! Enquanto escondi os meus pecados, o meu corpo definhava de tanto gemer. Pois de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; minha força foi se esgotando como em tempo de seca. Então reconheci diante de ti o meu pecado e não encobri as minhas culpas. Eu disse: "Confessarei as minhas transgressões ao Senhor", e tu perdoaste a culpa do meu pecado. Portanto, que todos os que são fiéis orem a ti enquanto podes ser encontrado; quando as muitas águas se levantarem, elas não os atingirão. Tu és o meu abrigo; tu me preservarás das angústias e me cercarás de canções de livramento.” (Salmo 32:1 ao 7) 
    
Davi havia pecado contra Deus e estava tentando ocultar seus erros, como se isso fosse possível. Em consequência disso, estava se sentindo como descreveu no salmo. No entanto, quando ele humildemente reconhece seus erros e os confessa ao Pai de amor, encontra perdão e refrigério para sua alma. E o mesmo pode acontecer com qualquer pessoa. Inclusive com você. 
    
Para finalizar, quero dizer que, para quem é cristão, as Escrituras Sagradas são a palavra de Deus revelada a nós. Logo, é a maior autoridade em sua vida. Assim sendo, faz-se necessário conhecê-la e colocar em prática seus ensinamentos. 
    
Veja o que está escrito em II Timóteo 3:16 e 17: “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra”.  
    
Ora, se ela é inspirada por Deus e nela existem muitos textos falando sobre a necessidade de perdoar, significa que é algo realmente necessário. Sendo assim, precisamos estar atentos a esses ensinamentos bíblicos, a fim de que sejamos e vivamos livres através do perdão.  
    
Sei que você dirá: “Não consigo perdoar nem aos outros nem a mim mesmo”. Acredito plenamente no que diz. Por isso, a Bíblia declara em Romanos 8:26 que o Espírito Santo nos ajuda a vencer as nossas fraquezas. E, certamente, essa é uma grande fraqueza da maioria de nós. Então, peça a ajuda dele para conseguir e seja verdadeiramente livre. 

Marcos A. Araújo

Formado em Letras e Pedagogia, professor da EBQ de Nova Odessa. Autor de três livros. Casado com Márcia e pai do Miguel e do Gabriel.

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