Detentos da Penitenciária Industrial de Guarapuava (PIG), na região central do Paraná, iniciaram uma rebelião no fim da manhã desta segunda-feira (13). Segundo a Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju) do Paraná e o Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), 12 agentes penitenciários são feitos reféns. A princípio, a Seju havia informado que oito agentes penitenciários eram reféns. Entretanto, a informação foi atualizada às 16h.
Também por volta das 16h, a Seju informou ao
G1 que 160 presos são reféns, além dos 12 agentes penitenciários. Ainda de acordo com a pasta, dez presos que participaram da
rebelião em Cascavel, em agosto, que resultou na morte de cinco detentos, foram transferidos para a Penitenciária Industrial de Guarapuava. A Seju não soube informar se, entre os rebelados de Guarapuava, estão os transferidos de Cascavel.
No fim da tarde, o Comando de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar, que saiu de
Curitiba e foi até Guarapuava, negociava com os rebelados, conforme a Seju. Um preso foi jogado de cima do prédio e foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros. Ainda não há informações sobre o estado de saúde dele. De acordo com a Polícia Militar (PM), pelo menos cinco pessoas caíram do telhado. Porém, a polícia não soube dizer se essas pessoas se jogaram ou foram empurradas.
Várias pessoas estão nos arredores na penitenciária, entre elas, familiares dos detentos. Uma mulher, que preferiu não se identificar, cujo namorado e irmão estão presos na PIG, contou aoG1 que os detentos reclamam de violência por parte dos agentes penitenciários. Ainda de acordo com o relato desta mulher, a comida servida aos presos é azeda e, além disso, demora-se até uma semana para entregar a comida enviada pelos parentes aos detentos.
Presos se rebelaram o fim da manhã desta segunda-feira (Foto: Alana Fonseca/G1)
Conforme a Polícia Militar (PM), um agente ficou ferido, ao ser queimado com cola quente, e foi levado para a Urgência Municipal de Trianon. Segundo um agente penitenciário que está no local, mas que não é refém, um preso também ficou machucado depois de ser agredido por outros detentos. A polícia cercou o prédio, e os demais funcionários foram retirados do local. Ainda de acordo com a PM, presos quebraram alguns vidros da penitenciária e foram para cima do telhado – armados com tesouras, chaves de fenda e pedaços de madeira.
Cezinando Paredes, diretor do Departamento de Execução Penal do Estado do Paraná (Depen), disse que cerca de 160 detentos estavam um canteiro de trabalho, quando alguns deles aproveitaram para render os agentes penitenciários. A direção do Depen já saiu de Curitiba para Guarapuava e deve auxiliar nas negociações. Ainda não se sabe qual o motivo da rebelião e as reivindicações dos presos. A penitenciária abriga 240 presos e trabalha com um modelo em que os detentos podem estudar e trabalhar no local.
Outras rebeliões
O ano de 2014 tem sido marcado por diversas rebeliões no Paraná. Em menos de um mês, cinco motins foram registrados. No fim de agosto, detentos da Penitenciária Estadual de Cascavel, no oeste do estado, fizeram um motim que durou 45 horas e deixou cinco pessoas mortas e muita destruição na unidade. O espaço não estava superlotado antes da rebelião, mas foi preciso transferir mais de 800 presos, devido à destruição das celas e corredores.
No dia 7 de setembro, foi a vez da Cadeia Pública de
Guarapuava, quando 14 detentos renderam três agentes penitenciários. Eles exigiam a transferência de alguns dos presos, já que o local estava com superlotação. O pedido foi atendido e o motim se encerrou após nove horas.