O professor da Unicentro Dejair Priebe Ferreira da Silva,
formado em Licenciatura Plena em Informática, Licenciatura Plena em Eletrônica -
UERGS Caxias do Sul, Curso Superior em SISTEMAS
DE INFORMAÇÃO - Faculdade TecBrasil, Curso Técnico em
ELETRÔNICA - Escola Técnica Federal de Pelotas, lança projeto
inédito de
extensão “Gerenciamento do Lixo Eletrônico.
Preocupado com o volume de lixo eletrônico
produzido no Brasil e no mundo, que cresce exponencialmente
devido ao rápido avanço tecnológico e à prática consumista imposta pela
sociedade, surgiu à necessidade de criar um projeto que viesse de encontro a
essa necessidade e principalmente para tentar minimizar o problema ambiental
gerado por tal tipo de lixo.
O projeto de extensão
“Gerenciamento do Lixo Eletrônico e uma solução tecnológica e social para um problema
ambiental” da Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO), que está desde
2011 estudando o problema do lixo eletrônico no contexto da cidade de Guarapuava,
PR e buscando soluções para tal questão. Uma das iniciativas é a oferta de uma
oficina de artesanato utilizando componentes do lixo eletrônico que não possuem
mais utilidade como tecnologia.
“A oficina pode ser
oferecida para crianças, adolescentes e adultos que além de serem conscientizados
sobre o problema do lixo eletrônico terão a oportunidade de colocar em prática
a sua criatividade e conhecer uma possível fonte de renda com a produção de
diversas
Peças como chaveiros,
brincos, anéis, peças decorativas e outras. Explica Dejair. “A outra iniciativa é uma oficina para
orientar os participantes sobre o que é lixo eletrônico e seus efeitos
maléficos ao meio ambiente, o crescente interesse de saber o que fazer com ele
e o valor financeiro destes componentes. O que reaproveitar do Lixo eletrônico
e como fazer este reaproveitamento, mostrando os principais componentes eletrônicos
e suas funções básicas. Mostrar as técnicas de desmontagem e dessoldagem das
placas eletrônicas e da discussão sobre onde e
como aplicar os
componentes retirados e testados. Explicar como e onde eles podem ser
utilizados em novos produtos. Desenvolver com os participantes, projetos e
produtos baseados em idéias dos próprios integrantes deste curso e com
embasamento técnico
suficiente para tornar este produto rentável aos seus “desenvolvedores, criando
assim uma possível fonte de renda a partir da venda” Enfatiza o professor.
Para o professor o Gerenciamento do lixo eletrônico e uma solução
tecnológica e social para um problema
ambiental destes produtos. Outro ponto importante é o estudo da
legislação brasileira em que se pode estabelecer a responsabilidade ambiental e
a sugestão de uma responsabilidade pós-consumo, principalmente a que trata da
destinação final dos produtos eletro-eletrônicos, para os quais ainda não
existe legislação vigente “específica, para evitar, num futuro próximo, o
esgotamento do meio ambiente” ressalta.
O importante projeto
tem sido elogiado por outras universidades. O professor tem recebido convite para
apresentá-lo em outras cidades do Brasil.
O projeto já foi apresentado com sucesso nas Universidade de Santa
Catarina e Rio Grande do Sul. “Tenho orgulho de levar o nome de Guarapuava,
cidade que me acolheu com tanto carinho” Afirma Dejair.
Saiba mais sobre o projeto
“O volume de lixo
eletrônico descartado no Brasil e no mundo cresce exponencialmente a cada ano.
Este crescimento deve-se ao ritmo acelerado do desenvolvimento tecnológico em
conjunto com o aumento do poder de compra da população, que busca cada vez mais
comodidade e conforto.
O Brasil possui cerca
de 160 milhões de celulares [Anatel 2009] e 60 milhões de computadores em uso.
Em 2014 a previsão é atingir a marca de 140 milhões, um computador para cada dois
ou três pessoas [Meirelles 2011]. “Segundo dados da ONU o Brasil é o maior produtor
per capita de resíduos eletrônicos (0.5 kg/Caetano) entre os países emergentes
[Schluep 2009]”. O descarte incorreto
deste tipo de lixo provoca graves danos ao meio ambiente e aos seres humanos
pois a maioria dos produtos eletrônicos contém substâncias tóxicas como
polímeros anti-chamas (BRT), PVC, e metais pesados como mercúrio, chumbo e
cádmio. O mercúrio, por exemplo, pode causar distúrbios renais e neurológicos
(irritabilidade, timidez, problemas de memória), mutações genéticas, alterações
no metabolismo e deficiências nos órgãos sensoriais (tremores, distorções da
visão e da audição). O chumbo, por sua vez, atinge o sistema nervoso, a medula
óssea e os rins, gerando lesão renal e cerebral e fraqueza muscular. Pode causar
anemia por inibição da síntese da hemoglobina e atinge o nervo ótico e auditivo.
E o cádmio é um agente cancerígeno, causador de danos ao sistema nervoso. “Acumula-se,
principalmente, nos rins, fígado e ossos e provoca dores reumáticas e mialgias,
distúrbios metabólicos que levam a osteoporose, disfunção renal e câncer [Lixo
Eletrônico 2009]”.
No Brasil a Lei nº
123052 de 02 de agosto de 2010, que institui a Política nacional de Resíduos
Sólidos define no artigo 33 que:
“São obrigados a
estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos
produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público
de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, os fabricantes,
importadores, distribuidores comerciantes de: (…) VI – produtos eletroeletrônicos
e seus componentes.” entretanto, ainda não há fiscalização suficiente para que
a lei seja cumprida. Além disto, nem todas as empresas têm estrutura para
reciclar seus produtos descartados pelo consumidor. Ocorre então que várias iniciativas
não-governamentais surjam para tratar da questão do lixo eletrônico. Alguns
exemplos de projetos são: ONG E-lixo - criada em março de 2008, em Londrina-PR,
com o objetivo de dar uma destinação correta para o lixo eletrônico; ONG Ceará
em foco3 com sede em Fortaleza trabalhando para o beneficiamento do lixo
eletrônico; Projeto de Lixo Eletrônico e de Meta reciclagem da Escola Futura da
USP de São Paulo; CDI4 - Comitê para democratização da Informática.